segunda-feira, 17 de novembro de 2014
On 12:38 by Lupa Charleaux in Resenhas de Shows No comments
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| Foto: Natalia Chvarts |
Não apenas a despedida do solo sul-americano, mas também da atual turnê do disco Lex Hives (2012). Então, o local bastante intimista da apresentação na verdade era uma casa perfeita para uma festa entre amigos: a banda e os fãs.
A festa, digo, o show começou pouco depois das 20h e com a música Come On!. Sim era, um convite do grupo para os fãs se juntarem a eles. E daí para frente, foi uma explosão de energia.
Take Back the Toys e Walk Idiot Walk fizeram todos pular. Uma roda punk se formou no meio do Cine Joia, mas todos podiam entrar e sair sem grandes hematomas, pois todos estavam lá para se divertir.
O vocalista Pelle Almqvist é extremamente performático e com uma plateia composta por vários fãs de verdade e poucos curiosos, tudo fica mais fácil. O músico conversava, brincava, dava autografo e até filmou uma mensagem para o Youtube no celular de um fã.
Assim como o tradicional fundo decorativo das apresentações, o vocalista controlava o público como marionetes. Pedia para todos pularem, baterem palma e cantarem junto com o grupo. Isso ficou bem claro antes de Wait a Minute. Pelle pediu para todos baterem palmas e cantarem o refrão da canção. O mesmo aconteceu em Main Offender e Go Right Ahead.
Alias, a presença de palco de Pelle merece um parágrafo a parte. Algo como uma versão punk “com classe” de Mick Jagger. Isso inclui até mesmo as dancinhas exóticas. Porém o frontman dos Hives parece muito mais carismático que o líder dos Rolling Stones.
E carisma é o que não falta na banda. O guitarrista Niklas Almqvist é o segundo elemento essencial para o espetáculo dos Hives. Mandando beijos, piscadas ou se jogando na plateia, ele divide as atenções com o irmão Pelle.
Você pode não conhecê-los, mas eles têm 20 anos de carreira. Então é difícil montar um setlist que agrade todos os fãs. Mas a energia e a alegria que a banda passa durante a apresentação faz os fãs se esquecerem desse detalhe.
E mesmo as músicas novas, que devem entrar no próximo disco, não deixaram ninguém parado. Destaque para The Bomb: Rápida, pesada e punk.
Um dos pontos altos da apresentação, com certeza foi o hit Tick Tick Boom. Pelle pegou os cartazes que os fãs organizaram no Flash Mob e anunciou a música. E logo depois apresentou a banda, fez o público se sentar e deu bronca em que estava na área vip que não atendeu ao seu pedido. Enfim, um palhaço (no bom sentido) animador de festa.
No bis, os Hives guardaram seu maior hit. Hate to Say I Told You So foi de arrepiar com todos cantando, pulando e fazendo uma bela festa. A banda e os roadies ficaram impressionados com o carinho do público brasileiro e agradeceram várias vezes.
Com certeza, é muito importante para os Hives descobrirem que têm um ótimo público no Brasil e na América do Sul. Tinham pessoas da Argentina e do Uruguai que vieram a São Paulo apenas para ver a banda. Que todo esse carinho faça que o retorne mais vezes e que faça mais shows memoráveis para os fãs.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
On 17:40 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
O hype criado em cima de Criolo após o lançamento de Nó na Orelha exigia do músico um álbum maior que o anterior. E sim, ele conseguiu responder às expectativas dos fãs (e dos críticos) em Convoque Seu Buda.
Abrindo o álbum, a faixa título apresenta um rap tradicional com várias bases eletrônicas e cheia de críticas sociais. O mesmo pode ser ouvido em Esquiva da Esgrima. Porém, o trabalho não se resume a isto e começa a seguir novos e surpreendentes rumos.
A sequência com Casa de Papelão, Fermento pra Massa e Pé de Breque representa isso muito bem. Criolo consegue ser o "Chico Buarque do Grajáu", depois relembrar o samba paulistano de Adoniram Barbosa e embarcar para Jamaica na faixa seguinte.
E no meio de tudo isso, o músico consegue encaixar e mudar sua voz de acordo com cada melodia. Além de serem bastante perceptíveis as diferentes emoções em cada uma das faixas. Algo bastante impressionante.
Mesmo com as misturas de influências, a ordem das faixas cria uma harmonia entre elas. Como um roteiro de filme, tudo acaba se encaixando e fazendo sentido durante os 40 minutos do álbum.
As participações de outros artistas criam uma ótima sintonia. Destaque para a cantora Tulipa Ruiz em Cartão de Visita e para o rapper Síntese em Plano de Voo.
Todas letras relembram notícias que os brasileiros acompanharam nos jornais ou na imprensa alternativa. As referências vão desde a greve dos ônibus em São Paulo, os rolezinhos até mesmo a própria entrevista do músico para Lázaro Ramos.
Ao mesmo tempo que fala da cultura das "quebradas", Criolo conversa com Foucault e outros pensadores. Portanto, não importa onde a pessoa more ou onde ela cresça, o conhecimento tem que estar ao alcance de todos.
Ao mesmo tempo que fala da cultura das "quebradas", Criolo conversa com Foucault e outros pensadores. Portanto, não importa onde a pessoa more ou onde ela cresça, o conhecimento tem que estar ao alcance de todos.
E no meio de uma onda de xenofobia que infelizmente acontece no Brasil, Criolo destaca o orgulho da sua descendência. Ele apresenta as influências do nordeste nas letras e acrescenta ritmos nordestinos às melodias. É o caso de Pegue pra Ela e Fio de Prumo.
Mais uma vez a parceria com o produtor Daniel Ganjaman resulta em um material muito bem construído. Eles conseguem juntos mesclar ao rap de Criolo os outros ritmos que fazem parte das influências do música. E a mixagem de Mario Caldato Jr (Beastie Boys, Nação Zumbi, Seu Jorge) fecha o pacote com chave de ouro.
Ouça e baixe Convoque Seu Buda em Criolo.net
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
On 07:26 by Lupa Charleaux in Análises de Séries de TV No comments
Criado nos anos 80 pelo escritor e quadrinista Allan Moore, o personagem John Constantine conquistou vários fãs que acompanhavam a série Swanp Thing (Monstro do Pântano, no Brasil). Até que em 1988 ganhou sua própria história na Vertigo, linha de quadrinhos adultos da DC Comics.
Batizado de Hellblazer, as histórias do detive e exorcista John Constantine foi atraiu vários fãs e ganhando notoriedade até fora do mundo dos quadrinhos. As "aventuras" do personagem que conversa com os seres do céu e do inferno chamou a atenção de Hollywood.
Em 2005, Constantine foi adaptado para o cinema tendo como intérprete o ator Keanu Reeves. Infelizmente, a história tinha pouca ligação com os quadrinhos, fugindo completamente da proposta original. Apenas o nome do protagonista tinha uma ligação direta entre as HQs e o longa dirigido por Francis Lawrence.
Diversos fãs realmente odiaram o filme e nem o consideram uma adaptação das histórias originais. Porém, sempre há uma esperança.
No começo deste ano, o canal americano NBC confirmou um piloto da série inspirada nos quadrinhos da Vertigo. Escrito por David Goyer e Daniel Cerone, ambos com experiência em séries e adaptações de HQs, o primeiro episódio foi ao ar recentemente nos Estados Unidos.
Logo de cara, ele apresenta Constantine internado em um sanatório e tentando se livrar do cargo de "Exorcista, Demonologista e Mestre nas Artes Ocultas". Tudo isso por conta de um fracasso em um dos seus últimos casos.
Mas ele é forçado a voltar ao trabalho ao receber uma mensagem de que a filha de um grande amigo está em perigo. Este é o principal foco da estreia do seriado, que no primeiro momento não se aprofunda muito na história do protagonista.
Ele apenas mostra ao telespectador que ele tem débitos com a turma do inferno e não pretende pagar tão cedo. E por isso está condenado a ir para lá, independente da sua conduta na Terra. E o seu passado tem bastante influência no seu momento presente.
A atuação de Matt Ryan até chega a ser convincente. O sotaque britânico e o humor negro do personagem estão presentes. E fisicamente, o ator lembra o personagem dos quadrinhos, o fato de ser inglês contribui bastante. Bem diferente do que aconteceu com Keanu Reeves.
Muitos vão comparar a série com Supernatural. Em ambas o tema das histórias é parecido. E a NBC resolveu focar no mesmo público: os adolescentes. Mas isso mexe bastante com algumas características do personagem.
Infelizmente, o canal americano vetou a presença do cigarro na mão de Constantine. E todos que tem uma pequena noção da história do personagem sabe que o cigarro e o isqueiro são os "instrumentos de trabalho" dele. Isso pelo menos estava presente no filme de 2005.
Infelizmente, o canal americano vetou a presença do cigarro na mão de Constantine. E todos que tem uma pequena noção da história do personagem sabe que o cigarro e o isqueiro são os "instrumentos de trabalho" dele. Isso pelo menos estava presente no filme de 2005.
Isso pode ser algo que vai desagradar os fãs, pois tudo será bastante superficial e leve. Bem diferente das HQs. Mas alguns pequenos Easter Eggs podem fazer alegria dos "fan-boys". Então recomendo que fiquem com olhos bem atentos.
Ainda é difícil analisar a série apenas pelo primeiro episódio. Mas Constatine ainda está longe do que os fãs de Hellblazer esperam. Precisa deixar de ser um seriado teen e ser direcionado para o público adulto e com poucas censuras. Mas vamos esperar as cenas do próximo capítulos.
Ainda é difícil analisar a série apenas pelo primeiro episódio. Mas Constatine ainda está longe do que os fãs de Hellblazer esperam. Precisa deixar de ser um seriado teen e ser direcionado para o público adulto e com poucas censuras. Mas vamos esperar as cenas do próximo capítulos.
sábado, 20 de setembro de 2014
On 14:40 by Lupa Charleaux in Textos Opinativos No comments
Publicado originalmente no dia 20 de setembro (Via Pop Punk Academy)
Se em 1994, o Green Day e seu Dookie conseguiram trazer para o mainstream o que estava escondido no underground punk californiano. Em 2004, com o lançamento de American Idiot, eles conseguiram mostrar que não precisa de exatamente três acordes e músicas curtas para lançar um álbum punk e politizado. Ele poderia ser uma ópera punk rock chamando o próprio país de idiota.
Fazia poucos anos que tinham acontecido os atentados de 11 de setembro: os americanos viviam em estado de choque, controlados pelas mídias e concordavam com o envio de tropas ao Iraque. E isso fica claro logo no single que dá nome ao trabalho.
Ele era apenas uma introdução a história para uma história sobre como a juventude dos subúrbios americanos se comportavam. Enquanto alguns eram enviados para o Iraque, outros não viam um futuro promissor.
E Billie Joe Armstrong conseguiu mostrar um pouco dessas personalidades através dos seus personagens. Seja o garoto Jesus Of Suburbia, o traficante St. Jimmy ou uma garota rebelde que ninguém sabe o nome.
Apesar de ter uma história toda muito bem construída, sempre que podiam as canções faziam críticas ao governo Bush. Nas entrelinhas, sempre aparecia algo que mostrava a discordância com o governo americano na época.
Com o American Idiot, o Green Day mostrou que não é preciso ter moicano para enfrentar o governo. É necessário ser um engravatado como eles para ser ouvido. E a ideia continua nos "figurinos" das turnês até hoje.
American Idiot contribuiu para o retorno do Pop Punk na mídia. E ajudou o Green Day a renovar seus fãs com uma nova geração de admiradores. Muitos fãs de hoje só conheceram a banda por meio dos clipes na MTV.
Com isso, a grande mídia aproveitou para dar espaço para outras bandas de Pop Punk, assim como em 1994. Ou seja, o Green Day sempre teve a responsabilidade em fazer a ponte entre o Punk e a mídia.
Com certeza você deve estar se perguntando: Já faz quase 10 anos que saiu o clipe de Jesus Of Suburbia na MTV? Pois é. Agora você vai começar a ouvir American Idiot com um tom nostálgico, pois ele já tem uma década de existência (e de serviços ao Pop Punk).
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
On 13:40 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Publicado originalmente no dia 19 de setembro no Blog N'Roll A Tribuna.
Depois de apresentar alguns singles como Human Sadness, o Julian Casablancas disponibilizou o streaming completo do seu disco solo com o The Voidz. Bastante experimental, o Tyranny contém 12 faixas que variam bastante entre si.
Depois de apresentar alguns singles como Human Sadness, o Julian Casablancas disponibilizou o streaming completo do seu disco solo com o The Voidz. Bastante experimental, o Tyranny contém 12 faixas que variam bastante entre si.
Em alguns momentos, Casablancas faz uma visita ao Strokes, sua banda principal. Em outros, o flerte com a música eletrônica se destaca mais. É o caso de Nintendo Blood.
Algumas das faixas do disco já foram apresentadas ao vivo por Casablancas and The Voidz. Where No Eagles Fly fez parte do repertório da banda durante a apresentação no Lollapalooza Brasil 2014.
Tyranny é uma continuação do primeiro álbum solo de vocalista, Phrazes For The Young (2009). Porém, pode causar espanto em quem estava procurando algo parecido com o Strokes. E ainda assim, ele traz mais elementos experimentais que o trabalho anterior.
O lançamento oficial de Tyranny será no dia 23 de setembro pela Cult Records, gravadora do próprio Julian Casablancas. Escute:
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
On 13:52 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Se aprofundando no experimentalismo, mas sem perder sua essência, os gaúchos da Cachorro Grande estrearam nessa semana o disco Costa do Marfim. O sétimo disco do grupo foi gravado no país do continente africano que dá nome ao trabalho e teve a produção de Edu K (Defalla).
Durante as 11 faixas, sendo duas delas vinhetas, a banda flerta com o psicodelismo e outros elementos como música eletrônica. Com faixas mais longas que as anteriores, o quinteto consegue explorar bastante sua criatividade como em Nós Vamos Fazer Você se Ligar.
O single Como Era Bom e a canção Eu Não Vou Mudar trazem bastante do estilo de compor da própria Cachorro Grande. Uma música que merece atenção é Torpor Partes 2 & 5. O instrumental dela serve de trilha sonora para a narração de uma história de filme noir bastante curiosa.
Costa do Marfim foi lançado no dia 15 de setembro, ele está disponível em CD e formato digital. Em breve uma versão LP de luxo sairá especialmente para os admiradores do bolachão.
Escute Costa do Marfim:
sábado, 13 de setembro de 2014
On 11:45 by Lupa Charleaux in Resenhas de Shows No comments
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| Foto por Silvia Kill (Lado R) |
Quase 10 anos depois da última passagem pelo o Brasil, o Nine Inch Nails ficou responsável por fechar os trabalhos no palco Onix, no primeiro dia do Lollapalooza. E como nos outros shows do evento, a apresentação do grupo americano começou pontualmente: às 19h55.
Abrindo com Wish, o grupo americano liderado por Trent Reznor mostrou desde o começo que seria uma apresentação densa, obscura e sem muito blá blá blá. Sendo assim, logo emendaram Letting You e Survivalism.
Algumas pessoas estranharam a falta de interação do vocalista com o público. Mas o músico mostrava intensidade durante as performances. Um exemplo disso durante foi a sequencia com as canções March of the Pigs e Piggy.
Nessa última acontece o momento de maior "contato" com a plateia. Reznor larga o microfone e começa a encarar os fãs que estavam na grade e cantam juntos o refrão "Nothing can stop me now/ 'Cause I just don't care/ Nothing can stop me now/ You don't need me anymore".
Se Reznor mostrava pouca interação e muita energia, o guitarrista Robin Finck ia pelo mesmo caminho. E conseguia se destacar tocando guitarra e fazendo backvocals marcantes como em Gave Up.
Outro membro que chamou atenção foi Ilan Rubin. O multi-instrumentista fez uma maratona em cima do palco. Começou tocando bateria, em alguns momentos assumiu o baixo e depois passou para a guitarra. No final voltou a assumir seu posto "oficial".
Apesar do repertório bem construído e harmonioso, quem acompanha os shows da recente turnê sentiu falta de algumas músicas do álbum Hesitation Marks. Apenas três faixas do mais recente lançamento foram apresentadas ao vivo: Find My Way, All Time Low e Disappointed.
Os singles Come Back Haunted e Copy of A acabaram ficando de fora. Talvez por ser uma apresentação em festival, ou qualquer outro motivo que não saberemos. Mas mesmo com diversos pedidos dos fãs, o grupo cortou do setlist uma das canções mais conhecidas: Closer.
Chegando ao desfecho do show, o Nine Inch Nails tocou dois dos seus singles mais famosos: Hand That Feed e Head Like a Hole. Sem dúvida um dos pontos do show, mas uma parte do público já se encaminhava para o palco Skol para garantir um lugar no show do Muse. Ou seja, apenas os fãs aproveitaram esse momento.
Como manda a tradição, o grupo encerrou a apresentação com balada "junkie" Hurt. Quebrando o ritmo completamente da apresentação, a música fez várias pessoas levantarem os seus isqueiros e cantarem juntos.
Em resumo, o show foi direcionada para os fãs reais da banda. Os curiosos talvez tenham estranhado a falta de "carisma" de Reznor e o som mais experimental do Rock Industrial. E com um setlist mais obscuro ficou difícil conquistar um novo público.
On 11:43 by Lupa Charleaux in Análises de Games No comments
A EA Sport liberou recentemente a Demo do Fifa 15 para os consoles da nova e "velha" geração. Fiz o teste no PS3 que traz alguns times europeus (Chelsea, Barcelona) e o argentino Boca Juniors. Mesmo com poucas equipes é possível ter um gostinho do que vem por ai.
A primeira coisa que impressiona ao jogar a demonstração de Fifa 15 são os gráficos. Mesmo quem estava jogando a edição anterior ou o game da Copa do Mundo 2014, com certeza vai sentir a diferença.
Os jogadores parecem ainda mais com as suas versões reais, mas a animação da torcida é que se destaca. A sensação é que cada torcedor age individualmente e de acordo com o comportamento do time. Isso deixa o jogo ainda mais realista. Em alguns momentos, o jogador tem a sensação que está assistindo uma partida de futebol na TV.
A jogabilidade parece mais fluída que a edição 2014, mas continua os árbitros e bandeirinha ainda continuam parando o jogo desnecessariamente. Por exemplo, mesmo se o jogador não se aproximar da bola, os impedimentos são marcados. Muito ao contrário do futebol real.
Outro destaque que podemos ver nos primeiros chutes a gol é a física. Cada ano a EA Sports aperfeiçoa esse quesito e deixando-o cada vez fica mais realista. O mesmo acontece com a movimentação dos personagens, que reproduzem ações dos boleiros reais ao proteger a bola ou na disputa de corpo.
Além dos gráficos, algumas coisas parecem terem melhorado. Os menus pré-jogo parecem mais limpos e grandes. Isso é uma vantagem para quem não joga em TVs com grandes telas.
Apesar de não ter o Brasileirão, Fifa 15 ainda deve atrair os amantes de futebol virtual. Pelo menos a Demo mostra melhorias efetivas e não parece ser mais do mesmo ou apenas atualização do ano anterior.
Apesar da narração em inglês na demonstração, a versão full do game no Brasil vai trazer mais uma vez a narração de Tiago Leifert e os comentários de Caio Ribeiro. Fifa 15 deve chegar às lojas brasileiras no dia 9 de outubro para PS3, PS4, X-360, X-One e PC.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
On 09:01 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Depois de compartilhar alguns singles e criar bastante mistério, em março deste ano os caiçaras da Analisando Sara lançaram o tão esperado EP No Que Você Acredita?. A banda santista dá sequência ao trabalho que se iniciou com o enigmático 6567826968738469 (2012).
Ainda mais maduros, o grupo apresenta um trabalho muito bem lapidado. Depois dos anos na estrada, a Analisando Sara conseguiu desenvolver um som próprio. E o conceito de "Rock Experimental Caiçara" que aparecia nas primeiras descrições ganhou total sentido.
No Que Você Acredita? é um trabalho no qual a banda dedicou muito tempo. Para ser mais exato, tudo começou em 2012 com a entrada do guitarrista Diego Oliveira. O design gráfico e fã do grupo decidiu contribuir com os seus dotes musicais, indo além das artes para os lançamentos.
Com convite para gravar um EP no estúdio paulistano Magma, o empenho da banda em produzir um material inédito aumentou. Chegavam a se reunir para ensaiar 4 vezes na semana durante um período de seis meses e até abdicaram da agenda de show.
"Foi um período de trabalho bem intenso, mas que serviu para aproximar ainda mais o Diego da nossa convivência como banda. Ele trouxe novas idéias e suas características para as composições que acabaram casando muito bem com as linhas iniciais da Daniela [Gumiero, guitarrista]", conta o baixista Henrique Santana.
O músico acrescenta que as gravações tiveram uma grande influência na vida pessoal de todos os integrantes da banda.
"Desde o início desse processo vivemos inúmeras coisas coletivamente. Era o trabalho apertando, a família cobrando, a grana encurtando. Mas isso fez todo mundo evoluir, amadurecer e questionar as próprias prioridades. Tudo isso acabou aumentou nossa dedicação ainda mais".
Tanto tempo de esforço e dedicação teve um excelente resultado. O EP começa com Um, a faixa traz a participação de Milton Aguiar, líder dos santistas da Bayside King. O vocalista consegue dar um tom mais agressivo a faixa, contrastando com a voz melódica de Gilberto Júnior.
As participações especiais são um dos destaques do lançamento. White Boy Swag Bass tem a participação de Charlie Bass, vocalista da banda inglesa Viotet, que acrescentou peso ao material dos brasileiros.
Com uma visão mais conceitual, a Analisando Sara busca despertar no ouvinte alguns questionamentos: Para onde estamos indo? Será possível reverter os problemas causados pela "vida moderna"? E por fim, no que você acredita?
Toda essa essência está presente na faixa Farol. Na verdade, a canção traz todos os elementos principais do EP: a participação de um amigo de estrada do grupo (Bruno Figueredo da banda paulista Savant Inc) e o instrumental bem construído. Mas principalmente a letra que desperta reflexão sobre a vida. Afinal, qual o norte que você está buscando?
Para encerrar, o trabalho ainda faz resgate de uma antiga faixa do grupo. Egotrip Em Terceira Pessoa reflete a evolução do grupo desde o lançamento do EP Repetição Imediata - Co-evolução e Consequência (2009). Com certeza, um presente para os fãs que os acompanham desde o começo.
O baixista assume o amadurecimento da banda por meio dessa faixa. "Já são sete anos desse rock experimental caiçara torto e posso dizer que temos uma Analisando Sara mais concisa por fora e por dentro".
No Que Você Acredita? deixa os ouvintes com gosto de quero mais, afinal cinco músicas são poucas perto da imensidão do trabalho. Mas é um disco que faz pensar. Não apenas nos questionamentos levantados pelas letras, mas em qual será o próximo passo que a Analisando Sara dará.
"Agora com o lançamento do No Que Você Acredita?, o ano está apenas começando para nós. Podemos garantir que ainda esse ano ainda teremos muitas novidades e surpresas", avisa Henrique.
Ouça No Que Você Acredita?:
On 07:55 by Lupa Charleaux in Releases No comments
Com letras positivas e cheias de rimas, a Bomba Sônica registra sua análise de quem mora na cidade de Santos em Demos 2014. O registro traz cinco músicas que farão parte do primeiro disco do grupo que mistura o rock com o rap.
A intenção dele é relembrar a tradição dos anos 90, em que as bandas produziam fitas demos para divulgar os trabalhos entre os amigos, fãs e outros admiradores de música. E também servia de uma prévia do material que estava por vir.
A demo mostra exatamente a identidade do quarteto santista que consegue circular entre os dois estilos. Os sons que saem da guitarra, baixo e bateria são a base para as rimas que retratam a visão de quem precisa se esforçar para conquistar o que é seu.
A faixa Eu Vim de Baixo, Mas Eu Vim com Tudo é a melhor tradução do conceito que a banda apresenta em suas composições. Aliando o som rápido com o hip-hop, passando uma mensagem de motivação.
A conexão entre os estilos se dá na música Terrorista Musical com o rapper Mr. D. A influências das ruas fica bastante presente na canção. E também mostra que a banda está aberta para todos os estilos e parcerias.
A Bomba Sônica não nega que sua principal influência é uma das bandas mais importantes de Santos, a Charlie Brown Jr. Porém, conseguem mostrar sua própria identidade acrescentando outras referências para o seu som.
Dead Fish, Planet Hemp Racionais MCs, Sabotage Emicida e Oriente são alguns dos artistas que colaboraram para essa mistura.
As inspirações também vêm de fora, de outros grupos internacionais que conseguiram unir os dois gêneros. Os integrantes citam Linkin Park, Rage Agaisnt The Machine, Red Hot Chili Peppers e Limp Bizkit.
Atualmente, a Bomba Sônica entra em uma nova fase na carreira. Traz para o seu som mais influências do rap e do hip-hop, mas sem perder a raiz e a essência do hardcore. Com uma nova formação, o segundo semestre de 2014 deve ser promissor para o quarteto santista.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
On 14:15 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Indo na contramão dos álbuns da sua banda principal, Karen O está lançando seu primeiro álbum solo, Crush Songs. Diferente do som agitado do Yeah Yeah Yeahs, a cantora apresenta um material bastante intimista com apenas voz, violão e alguns poucos elementos te percussão.
O álbum inteiro foi gravado no quarto da cantora e no formato lo-fi entre 2006 e 2007. Ou seja, ele traz uma sonoridade bem simples e pouco trabalhada em estúdio. Crush Songs apresenta 15 faixas explorando os diversos tipos de romance, mas principalmente os que não terminaram bem.
Quem está acostumado com Karen O berrando nos vocais do Yeah Yeah Yeahs pode estranhar um pouco o trabalho por ser bastante calmo. Então é necessário esquecer um pouco do passado musical da moça para aproveitar melhor o álbum.
Crush Songs será lançado oficialmente no dia 9 de setembro pela Cult Records, gravadora que pertence a Julian Casablancas (The Strokes).
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
On 14:25 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Indicados ao 12º Curta Santos com o clipe de Heart Cracked Glass Window, os santistas da Sismic Amps lançaram recentemente seu autointitulado EP de estreia. Com 5 músicas, o material foi totalmente produzido de maneira independente.
As canções buscam bastante referências no rock alternativo. Seja nas bandas indies dos anos 90, como o Pixies, ou grupos mais atuais como o Interpol. Mas o rock dos anos 60 e 70 tem a sua colaboração nessa mistura de influências.
A faixa de abertura Ashes and Dust e Take Care Of representam muito bem o conceito que a Sismic Amps tenta passar com esse mix de inspirações.
O EP Sismic Amps foi publicado recentemente no Soundcloud e você pode ouvir abaixo:
O EP Sismic Amps foi publicado recentemente no Soundcloud e você pode ouvir abaixo:
terça-feira, 2 de setembro de 2014
On 07:30 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Publicado originalmente em 2 de setembro de 2014 (Via Pop Punk Academy)
Os curitibanos do Magaivers colocaram no ar o álbum Bacon, o sexto da carreira do grupo. Provando mais uma vez que o Crowdfounding é a melhor saída para as bandas independentes, o material foi produzido com a ajuda dos fãs.
Os curitibanos do Magaivers colocaram no ar o álbum Bacon, o sexto da carreira do grupo. Provando mais uma vez que o Crowdfounding é a melhor saída para as bandas independentes, o material foi produzido com a ajuda dos fãs.
O trabalho traz 14 faixas e foi disponibilizado no Deezer. Além dos singles Contaminado e Escute, outro destaque do álbum é a música Decolando com a participação de Roger Moreira do Ultraje a Rigor.
A banda paulista é uma das principais influências para o grupo, junto com o Ramones e o Beach Boys. E juntando um pouco desses três artistas, Bacon é um disco bem gosto de ouvir com ótimas letras em português.
Quem já acompanha os trabalhos da banda, não irá se desapontar. E para quem não conhece, essa é uma boa oportunidade de "descobrir" o trio.
Ouça Bacon:
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
On 08:09 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Depois de muitos segredos e alguns teasers, os santistas do The Bombers publicaram o tão aguardado All About Love. Esse é o primeiro material inédito do grupo em seis anos e está sendo lançado pelo selo paulista Hearts Bleed Blue.
Com os mais de 15 anos de carreira (e experiência), a banda disponibilizou 17 faixas que exploram as diversas influências do rock. Em All About Love, os ouvintes encontram punk rock, ska, street punk, hard rock e até mesmo country.
E mesmo com essa mistura de estilos, o álbum consegue manter uma coerência e prender a atenção.
Você pode embarcar numa viagem para a Jamaica em Getting Old e logo depois relembrar da realidade brasileira em Blood On The Street.
E é praticamente impossível ficar parado com Going Fast e Let’s Dance The Night Away. O tradicional bom humor dos santistas aparece em A Saint Called Silvia e The End encerra o álbum de forma época.
Algumas das músicas, a banda já vinha apresentando nas poucas apresentações feitas nos últimos anos, antes de se concentrarem na gravação do álbum. E em estúdio, elas conseguiram manter a mesma energia e ganharam elementos que as deixaram ainda mais interessantes, como teclados e os vários back-vocals femininos.
All About Love deve ser classificado apenas como um álbum de puro rock’n’roll.
E a intenção dos Bombers é levar as músicas para todas as pessoas. O álbum está disponível para audição no iTunes, Bandcamp, Rdio, Deezer e Spotify.
Ouça o disco All About Love:
sábado, 16 de agosto de 2014
On 08:20 by Lupa Charleaux in Resenhas de Shows No comments
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| Foto: Pedro Felix |
Tocando pela primeira vez na cidade, os Brothers of Brasil foram atração da Letz Rock no Moby Dick em Santos. O duo se apresentou na última sexta-feira (15), com um público bastante variado na casa. Muitos jovens e muitas pessoas que conheciam o trabalho de Supla desde a sua carreira solo.
Sem que ninguém esperasse, a dupla atravessou o publico até chegar ao palco e começar a apresentação. João e Supla deram o start tocando Melodies From Hell, faixa-título do próximo trabalho dos irmãos. Mesmo tendo sido lançada há poucas semanas, algumas pessoas já acompanhavam a letra do single.
Facilmente a banda conseguiu conquistar o público santista. Apresentando On My Way, uma das músicas mais conhecidas da banda, logo criaram uma interação com o público durante o refrão.
Assistir ao show dos Brothers of Brazil é uma experiência diferente. Você vê claramente as influências da música brasileira e a fusão com o punk pelas roupas dos integrantes. Enquanto João aparece com camisa de botão e cabelo bem penteado; Supla parece que saiu da antiga loja Sex da estilista inglesa Vivianne Westwood e com o cabelo arrepiado
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
On 08:28 by Lupa Charleaux in Entrevistas No comments
Publicado originalmente no dia 15 de agosto de 2014 (Via Blog N'Roll A Tribuna)
Os mineiros do Strike se apresentam hoje (15) na Capital Disco junto com os santistas dos Aliados. O Blog N’Roll A Tribuna teve a oportunidade de conversar com o vocalista Marcelo Mancini que comentou sobre a expectativa do show da banda hoje.
A apresentação tem um gosto especial para eles, pois é a primeira vez que a nova formação da banda se apresenta em Santos junto com o baterista Bruno Graveto, ex-Charlie Brown Jr., além de mais dois integrantes.
“Hoje vai ser um show muito especial, pois é a chegada do Graveto. Isso marca o inicio de uma nova fase e estamos muito felizes com a entrada dele, porque abriu novos horizontes. E hoje será também a primeira apresentação do Léo Pinotti (ex-Granada) e a volta do DJ Negro Rico”.
Segundo Marcelo, a expectativa é que o público santista colabore para mais um show memorável, assim como foram os anteriores.
“Tocamos em Santos desde 2006. Fizemos uma apresentação no La Fiesta e depois as coisas foram crescendo. Depois fizemos vários shows inesquecíveis. Um com o New Found Glory, depois o Raimundos e outros amigos de estrada”.
Tocando ao lado dos Aliados, o vocalista ressalta a qualidade das bandas da região e acredita que a praia é uma imensa fonte de inspiração para quem mora aqui.
“Tem a galera do Zimbra que é uma banda muito boa, os próprios Aliados que são grandes parceiros”, comenta. “Parece que Santos é a cidade com mais músicos talentosos. Todas as formações do Charlie Brown Jr só tinham integrantes que moram na cidade. E eles sempre mantiveram o nível”.
Atualmente, o Strike está trabalhando no seu quarto disco. Marcelo fala que a banda está experimentando novas sonoridades. Para o novo trabalho, os músicos estão buscando influências no Hip Hop e Reggae para as composições.
“Com a entrada do DJ, estamos colocando coisas diferentes no nosso som. Desde o nosso primeiro disco, sempre usamos muito as melodias do Reggae e do raggamuffin. O novo disco vai ter mais desses elementos, vai ter mais swing que os outros”.
Essas inspirações também estão refletidas nos primeiros convidados do álbum. Marcelo revela que o Rapper Rael e Helio Bentes, vocalista da banda de Reggae Ponto de equilíbrio, participarão do novo material.
Com novos integrantes e novas inspirações, o Strike começa a experimentar novas formas de gravar o novo álbum. Eles estão utilizando um estúdio próprio, montado pelo guitarrista André Maini.
“O lugar é animal com uma estrutura legal, podemos usufruir disso da melhor maneira buscando novos formatos de gravação. Ele permite que façamos um laboratório mais experimental”, diz Marcelo.
A banda está trabalhando pela segunda vez com o Tadeu Patolla. O produtor já havia participado do álbum anterior, Nova Aurora (2012) e mais uma vez dá uma colabora para os músicos.
“Ele ajuda muito na hora das dúvidas, já conhece o formato que nós trabalhamos e as sonoridades que queremos. Já sabe o que nós curtimos e o que não gostamos”, explica Marcelo.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Publicado originalmente em 21 de julho de 2014 (Via Blog N'Roll A Tribuna)
Após aproximadamente cinco anos, os Raimundos retornaram a Santos na última sexta-feira, dia 18 de julho, na Capital Disco. O quarteto brasiliense veio à cidade para divulgar o disco Cantigas de Roda, totalmente financiado pelos fãs e provando que as bandas não necessitam mais das gravadoras.
“O Crowdfunding foi perfeito porque o que importa para gente são os fãs”, contou Digão, o vocalista do grupo, em um bate-papo exclusivo após o show. “Eles que participaram, ajudaram, acreditaram e apostaram. E a coisa deu muito certo e todo mundo que ajudou está recebendo suas recompensas”.
Mas antes da atração principal, duas bandas ficaram com a responsabilidade de abrir o espetáculo.
terça-feira, 10 de junho de 2014
On 07:28 by Lupa Charleaux in Entrevistas No comments
Em 2014, o Sugar Kane decidiu arriscar fugir do Hardcore Melódico e investir em outras influências e assim lançaram o álbum Ignorância Pluralística. Com letras mais sérias abordando temas sobre política, a sociedade e religião, a banda criou um trabalho muito ligado ao Punk Rock e Hardcore: Crú e Direto.
Conversamos com o vocalista Alexandre Capilé que contou sobre o desenvolvimento do álbum, as letras e as influências que ajudaram a construir o trabalho. Ele também relembrou do show realizado em Santos em 2007 após a banda passar por um hiato e comentou sobre a evolução da cena underground.
Blog N'Roll: Como foi o processo de composição de Ignorância Pluralística?
Alexandre Capilé: Foi um processo feito com muita calma e foco. Entre o disco anterior de 2009 (A Maquina Que Sonha Colorido) e o Ignorância Pluralística gravamos dois EPs (Digital Native, 2010; Fuck The Emo Kids, 2012) , um DVD (15 Anos - Ao Vivo em Fortaleza, 2012) e fizemos uma tour pela Europa. Aprendemos muito durante todo esse processo, assumimos mais as influências que sempre tivemos além do Punk Rock e Hardcore, mas também buscamos deixar o disco sem frescura, super cru, pesado e direto. Nas letras buscamos abordar temas atuais e filosofias sempre presentes na história da banda. Na peneira final, misturamos tudo isso já sabendo a sonoridade que buscávamos chegar, e ficamos muito satisfeitos com o resultado final.
BNR: Vocês acham que os fãs receberam bem o trabalho? Atendeu a expectativa de vocês?
Capilé: Receberam super bem, muito mais do que nossas melhores expectativas podiam imaginar. Por não ser um disco 100% de Hardcore Melódico já tinha grandes chances de não ser aceito tão bem. Nas outras vezes que ousamos mais, o publico não engoliu tão bem nossas mudanças. Mas já nesse disco nem parece que ele é diferente, o público gostou muito. Várias pessoas chegam pra gente e dizem que esse é nosso melhor disco, que evoluímos muito com esse trabalho e que a banda ganhou sangue novo, melhor impossível.
BNR: Algumas letras, como por exemplo Paciência pra Burrice e Classe Média, são analises do Brasil atual. Em um ano de eleição, você acha que o trabalho pode contribuir para uma conscientização?
Capilé: Eu espero que sim, quando escrevi essas letras era um desabafo pessoal. Mas acredito que ele não exista só para mim. As pessoas se identificam com isso, por estar num país quase sem escolhas e viver um momento de revolta e revolução. Ao mesmo tempo tenta ser ridicularizado e esquecido pelas grandes mídias, que são totalmente manipuladas e como sempre buscam enfraquecer a voz do povo. No disco nós demos nosso recado, espero que com ele as pessoas possam se questionar e mandar o delas, principalmente nas urnas. Pois precisamos mudar os líderes atuais e essa corja de ladrões que comanda nosso país.
BNR: Ainda falando das letras, Pastor Felício faz críticas bem diretas as igrejas evangélicas e ao próprio Pastor e Deputado Marco Feliciano. Vocês já tiveram algum problema com isso?
Capilé: Não tivemos problemas, até por que é uma história fictícia baseada em fatos reais (Risos). Não somos contra a fé das pessoas e nem contra os evangélicos, mesmo eu não concordando em nada com a religião deles. Somos contra os líderes dessas igrejas, que só pensam em manipular e roubar seus fiéis. E o pior, ditando absurdos irracionais como verdades absolutas. O Sugar Kane tenta sempre trazer em seu discurso um grito pela liberdade e igualdade. Quem for contra isso somos contra.
BNR: Em Ignorância Pluralística ficou claro que a banda está muito mais próximo do Hardcore "crú e direto", diferente dos trabalhos anteriores. Como surgiu essa mudança? Alguma banda teve uma forte influência?
Capilé: Para gente o resultado final foi uma surpresa, principalmente como as pessoas o classificaram. Pois, nesse disco buscamos apenas ser bem crus e diretos, acreditávamos estar caminhando longe do Hardcore e estar mais perto do Punk. Mas não nos limitamos ao Punk Rock na hora de criar, tivemos muita influência de bandas como Pearl Jam, Nirvana, Queens Of The Stone Age, OFF!, Foo Fighters, AC/DC... Acho que no final esse mistura mostrou mais o nosso lado Rock Clássico com pitadas da nossa personalidade Hardcore/Punk. Mas desta vez, sem frescura, tudo simples e direto. Eu considero esse o disco que melhor mostrou nossa personalidade.
BNR: Recentemente, vocês fizeram alguns shows tocando covers de Foo Fighters e Nirvana. Pode-se dizer que a banda ainda tem um pouco da influência "suja" do Grunge?
Capilé: Muita influência, eu sou dos anos 90, tinha 13/14 anos quando o Grunge explodiu, a influência das bandas dessa época sempre estiveram presente em mim, e a banda toda na verdade sempre ouviu muito. Acho que nesse disco conseguimos deixar mais visíveis essas influências no nosso som, mas sem perder nossa personalidade. Para gente existe apenas rock bom e rock ruim. Gostamos do bom (Risos).
BNR: Em 2007, o primeiro show após o hiato da banda foi em festival em Santos com a Fresno e o Garage Fuzz. Vocês lembram desse show? E que outras lembranças vocês têm da cidade?
Capilé: Sim, lembro bem, a casa tava lotadaça. E para gente foi super importante esse show em Santos, cidade onde sempre passamos em todas tours. E sempre, desde a primeira vez que tocamos em 2001 com a banda Altered Mind e até hoje, somos super bem recebidos. Esse show marcou nossa volta depois do hiato, foi histórico.
BNR: Desde 1997 acompanhando de perto a cena underground, quais foram as mudanças que mais impressionaram vocês? Para o bem e para o mal.
Capilé: Hoje tá tudo mais estruturado, existe um circuito, pra divulgar a banda é mais fácil, existem ferramentas pra isso. Em 1997 tínhamos uma internet rústica, quase nenhum lugar pra tocar e pensar em fazer uma tour essa utopia... Num quadro geral melhorou muito. Mas ao mesmo tempo perdemos o romantismo original dessa cena, que era constituída por bandas que representavam suas cidades, que faziam intercâmbios pra poder tocar, que tornavam todos envolvidos em amigos, hoje o lance é mais comercial, mas é natural, tem que saber lidar isso e tocar a bola pra frente.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
On 05:11 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Publicado originalmente no dia 4 de junho de 2014, via Blog N'Roll A Tribuna
Com mais de 30 anos de existência, uma das principais funções do Ratos do Porão é: traduzir o cotidiano brasileiro de forma extremamente crítica. E em seu novo disco, a banda mostra que continua fazendo muito bem seu trabalho.
Uma das lendas do punk rock nacional acaba de liberar o álbum Século Sinistro para audição em um link oficial no Youtube. Por meio das 13 faixas, o grupo apresenta um retrato muito nítido da realidade do Brasil.
Logo de cara, o quarteto fala os protestos de junho de 2013 em Conflito Violento. Já em Grande Bosta e Sangue e Bunda, o assunto é o estranho comportamento de uma parte da população do Brasil. A sede pela tragédia aliada a valorização de coisas "fúteis" como o futebol.
Ao mesmo tempo em que crítica o sistema carcerário (Boiada pra Bandido), eles conseguem deixar claro que existe “ladrão jugando ladrão” (Puta, Viagra e Corrupção) falando sobre os políticos. Nem os “nerds da internet” são poupados dos comentários ácidos (Viciado Digital).
Instrumentalmente, o Ratos de Porão retorna a sua fase Crossover, mas segue como continuação do disco anterior Homem Inimigo do Homem (2006). O guitarrista Jão consegue explorar bastante riffs e solos, lembrando os discos como Brasil (1989).
Ou seja, além dos fãs “novos”, o álbum deve agradar a galera mais “Old School”.
Gravado nos estúdio Family Mob em São Paulo, Século Sinistro está sendo lançado pela Bruak, gravadora do vocalista João Gordo. Ouça-o:
terça-feira, 3 de junho de 2014
On 17:54 by Lupa Charleaux in Resenhas de Discos No comments
Publicado originalmente no dia 13 de maio de 2014 (Via Blog N'Roll A Tribuna)
Com mais de 30 anos de carreira, o Titãs é uma banda bastante importante para a cena roqueira do Brasil. Mesmo com tantos anos de contribuição para essa “instituição”, os veteranos paulistas continuam fazendo um ótimo trabalho. E isso está bem claro em Nheengatu, décimo oitavo disco da carreira do grupo.
O álbum com 14 faixas traz um pouco de cada fase pelo qual o quarteto já passou ao longo das três décadas. O trabalho foi disponibilizado para audição nessa segunda-feira, dia 12, no Youtube no canal oficial do grupo.
Quem espera as letras mais cruas e politizadas, iguais as escritas nos anos 80, vai encontrar isso logo de cara em Fardado. A canção que abre o álbum é um dialogo direto com um policial. Facilmente, os fãs farão uma ligação com a clássico Polícia do disco Cabeça Dinossauro (1986).
Assim como nessa faixa, o peso não fica apenas no conteúdo das letras, ele está presente no instrumental. Pedofilia é um exemplo de como a banda conseguiu trabalhar esses elementos.
Os elementos Pop presente nos álbuns lançados no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 aparecem nas canções Flores para Ela e Chegada ao Brasil (Terra à Vista). Apesar dessa última ainda trazer uma composição afiada em relação ao Brasil e o descobrimento do país. O mesmo tema é utilizado como pano de fundo em República das Bananas.
A parceria com o produtor Rafael Ramos fez o Titãs resgatar um pouco da essência da banda no começo da carreira de forma natural.
Ouça Nheengatu:
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