quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

On 06:45 by Lupa Charleaux in    No comments
Durante as férias, eu costumava pegar meu notebook e ir 'trabalhar' na sala. Sentado na mesa e ouvindo alguma banda que precisava resenhar. Minha avó deixava a TV ligada, e eu por tabela acabava assistindo um pouco da programação.

Como em boa parte dos recintos brasileiros, a televisão estava ligada na Globo e finalmente tive oportunidade de assistir dois 'peculiares' programas: Bem Estar e Encontro com Fátima Bernardes.

O primeiro já me causava certa, digamos, vergonha alheia pela chamadas que apareciam durante o Fantástico ou os 'Bom Dias' Brasil e São Paulo. Como canta Wander Wildner: 'É impossível ser alegre o tempo inteiro'. Mas esqueceram de avisar isso para o apresentador do programa. Mesmo que falando de doenças, o sorriso era o mesmo de quem esta falando de musse de morango. 

Entendo que o programa precisa ser didático, afinal tem 'senhorinhas' assistindo. E elas precisam explicar para os filhos e netos que faz mal para a coluna levantar da cama de maneira X e não Y. Mas não precisa parecer que está falando com uma criança de primário.

Assim como entendo que é bom ter uma vida saudável. E eu, assim como a maioria das pessoas, sabemos disso. Mas nem sempre o cotidiano permite que sejamos saudáveis. Quem na hora de ir num restaurante Self-Service lembra de comer carboidratos, separar um terço do prato para a salada e não misturar arroz com feijão?

'Final de ano... Você bebe demais e acorda com aquela dor de cabeça, não é? Saiba como curar a ressaca'.

Sim, eu ouvi uma frase dessa em uma das chamadas. Eles se esforçam até para ensinar as pessoas a beber. Sério. Na verdade, era mais fácil dizer: Não beba e não pague mico nas festas
Se for para criar uma geração de pessoas 'Coxinhas', faça direito.

Coxinhas. Segundo a definição no dicionário Luparelio significa: a) pessoa que faz tudo certinho, leva a vida corretamente e saudavelmente. Segue todas as regras e leis. Se veste de acordo com a moda. Não compartilha link de download de um disco no Twitter. Falam corretamente. Não pronunciam gírias ou palavrões, pois é feio. Pessoas que lavam o All-Star quando a mãe pede. [...] b) aquele salgado da cantina da escola/faculdade que vai ser sempre a última opção, pois odeio frango.

Voltando a programação normal. 

Depois de assistir um programa que me fez sentir como se eu fosse a pessoa menos saudável do mundo, eu era obrigado a ter um encontro às 11h da manhã com Fátima Bernades. Nem o glamour e a seriedade da grande jornalista me fez tirar a ideia que era uma tentativa de fazer algo parecido com a atração da Oprah Winfrey. Que na verdade virou algo parecido com o programa da Márcia Goldschimidt/Luciana Gimenez com convidados muito bem selecionados e mais classe. Padrão Globo, é claro.

ÀS VEZES, em caixa alta para deixar bem claro, a produção consegue abordar temas legais. Soube de pautas sobre Roller Derby, Cosplayers e Otakus. Esse último não muito bem retratado, mas isso já é algo comum na imprensa 'não-especializada'. Mas não tive sorte nos dias que assisti. Só teve matérias que não agregaram nada a minha cultura (inútil). E acredito que muito menos a cultura das donas de casa.

Na boa, só o Roberto Carlos pode falar sobre se apaixonar pela namorada de um amigo dele. (Esse foi um dos temas que assisti).

Enfim, bons tempos em que vários meninos e meninas levantavam as mãos para ajudar o Goku a fazer a Genkidama nas manhãs da TV Globinho. Com certeza, eles não cresceram e tornaram-se uma geração de coxinhas.

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